O BLOG

Histórias da Floresta

Um Negócio de Famílias

Nosso trabalho depende das parcerias que firmamos com as comunidades ribeirinhas, seja por meio de cooperativas, seja diretamente com as famílias. Nossa relação com elas é muito próxima. Quando vamos à Amazônia, ficamos nas casas deles, que nos recebem de braços abertos. Comemos juntos, dormimos nas camas e redes que eles providenciam e vivemos o dia a dia deles na floresta. Nosso objetivo sempre foi agregar, abrindo a janela para mais uma fonte de renda proveniente da floresta que os rodeia, sem a necessidade de desmatá-la.

Almejamos obter a melhor amêndoa possível, pois com isso conseguimos um valor melhor pelo chocolate e podemos pagar mais pelo cacau. É um círculo virtuoso em que todos trabalham com a mesma meta. Estamos dispostos a pagar um bom preço por um cacau de qualidade, mas para isso precisamos contar com o engajamento de pessoas que estejam dispostas a coletar, fermentar e secar as amêndoas.

Como estamos fazendo isso há muitos anos, recebemos sempre informações de onde encontrar cacau. Aí averiguamos o que consideramos ser o mais importante: se a comunidade tem mesmo interesse em trabalhar com cacau. Pois não adianta ter uma quantidade enorme de cacau em determinada área se não temos pessoas interessadas em se envolver em sua coleta e beneficiamento.

Quando iniciamos os trabalhos com o cacau da Amazônia, percebemos que os mais velhos se interessavam mais pela atividade. De 2014 para cá, vimos com imensa satisfação o retorno dos jovens a essa atividade, por enxergarem nela uma chance real de terem uma renda fermentando cacau e vendendo para empresas como a nossa.

Oportunidades para o público feminino

Sempre que vamos para a Amazônia, nosso pai, Andre, tenta ir conosco. E é curioso ver como os homens automaticamente se dirigem a ele com questionamentos sobre a fermentação e a secagem, sobre o cacau e o processo de beneficiamento, sendo que a expert nisso é a Luisa. Ele precisa reforçar que as pessoas devem direcionar seus questionamentos a ela e não a ele. Isso é apenas um indicativo de como eles estão acostumados a lidar apenas com o sexo masculino e o quão incomum é ter uma mulher em posição de liderança. Por esse motivo, tentamos permanentemente incluir as mulheres na atividade do cacau.

E estamos conseguindo. Enquanto ficam de fora de tantos trabalhos dominados por homens e que geram renda, elas estão presentes no processo de coleta e quebra dos frutos. Incluí-las nesse processo é um grande trunfo.

Conheça nossos parceiros

RIO ACARÁ: IOLANDA E BICO
A Iolanda foi pioneira no trabalho com o cacau no rio Acará, e, com o sucesso do negócio, envolveu também sua família, inclusive seu marido, Francisco, o Bico. Juntos, eles são essenciais para a produção do cacau que usamos na nossa barra mais vendida.

Em 2015, no rio Acará, o cacau despertou a curiosidade primeiramente da Iolanda, que nos vendeu 100 quilos de cacau e ficou impressionada com o dinheiro que ganhou.

Recrutou então a família. Bico, no início, não acreditou no negócio, mas logo mudou de ideia quando viu o faturamento de Iolanda com a venda do cacau. Em 2021, eles nos venderam 1,8 tonelada de cacau.

A coleta e a fermentação no rio Acará são feitas essencialmente por mulheres, com a ajuda do Bico. Para Iolanda, foi preciso abrir uma conta bancária, a primeira de sua vida.

No rio Acará, Bico e sua família não tinham sinal de telefone nem de Internet. Com a atividade proveniente do cacau, eles conseguiram chegar lá — e isso facilita demais nossa comunicação!

Para Niely, filha de Bico e Iolanda, agora é possível pagar pela faculdade que sempre sonhou fazer. Eles têm convicção de que, depois que ela receber o diploma, poderão arcar com os custos também da graduação do filho mais velho, tudo com a renda proveniente do cacau fermentado.

RIO CASSIPORÉ: DORISMAR E O SR. SABÁ
O Dorismar é da comunidade de Vila Velha do Cassiporé, mas reside na cidade do Oiapoque. Ele nos dá suporte com a logística e a infraestrutura no Rio Cassiporé. Sem ele, seria impossível ter obtido o cacau dessa origem. Ele financiou a infraestrutura de fermentação e secagem que temos na comunidade de Vila Velha e está sempre atento e disponível para ajudar a comunidade em que nasceu.

Sr. Sabá vive em Vila Velha do Cassiporé, às margens do rio. É muito respeitado na comunidade por ser uma das pessoas mais velhas de lá. Ele é quem faz a fermentação do cacau, junto com outras duas pessoas.

Em várias comunidades, os ribeirinhos não têm recursos para montar a infraestrutura necessária para a fermentação, secagem e armazenamento do cacau. Nesses casos, nós arcamos com os custos, a fim de viabilizar a produção do cacau fermentado. E, mesmo quando a infraestrutura está feita, adiantamos capital para a compra dos frutos necessários para a produção do cacau. Não há contratos assinados, não há penalidades quando a produção não acontece — e não desistimos. Conversamos com nossos parceiros e parceiras e ouvimos as dificuldades que enfrentam para a entrega do combinado. Quando a produção não ocorre, ajustamos os volumes para as safras seguintes. Para essas famílias, criamos uma fonte de renda vital e, para nós, a atividade deles proporciona o crescimento de nosso negócio.

RIO TOCANTINS: MARCIO E MARIO
Essa dupla de amigos e sócios é responsável pelo nosso cacau do Rio Tocantins, em Mocajuba. A cidade tem tradição na colheita do cacau, porém eles não faziam sua fermentação e secagem. Quando iniciamos nossa parceria, em 2019, fizemos juntos a primeira fermentação controlada dos grãos que eles comercializavam e que, para nossa felicidade, se transformaram em um chocolate espetacular, com notas cítricas como nenhum outro de nossa linha. O Marcio e o Mário têm uma infraestrutura coesa às margens do Tocantins e possuem uma capacidade alta de produção. É a nossa origem com maior quantidade de cacau disponível. E eles são ambiciosos e dedicados. Todas as nossas barras de inclusão e ao leite são feitas com esse cacau.

RIO JURUÁ: OSMIR E AIRES ANDRIOLA, ZÉ DA ICA E MAICON (FILHO DO ZÉ)
O Osmir e o Aires são irmãos e responsáveis pela nossa fermentação na comunidade de Novo Horizonte, às margens do rio Juruá. Eles são filhos de Seu Moacir, que chegou na região durante a corrida da borracha, para trabalhar com a seringa. Além do cacau, se dedicam à construção de barcos e à colheita do murmuru. Conhecemos os dois em 2017, no rio Purus, ocasião em que aprenderam conosco a fermentar cacau fino, em um programa de troca de experiências promovido pela ONG SOS Amazônia denominado Valores da Amazônia.

O Seu Zé da Ica é pescador e nosso mais novo parceiro no Juruá. Ele reside na comunidade do Rebojo. Junto com seu filho, o Maicon, está apostando no cacau selvagem como uma importante fonte de renda para suas famílias. Em 2022, fizeram a primeira fermentação de cacau no Rebojo, guiados pela Luisa. Esperamos que seja a primeira de muitas que estão por vir!

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