O BLOG

Histórias da Floresta

O Cacau Selvagem da Amazônia

O cacau, ao contrário do que muita gente imagina, não tem origem na América Central, mas, sim, na Floresta Amazônica da América do Sul.

A literatura sobre o cacau cultivado em fazendas é tão farta que acreditávamos que ele, assim como quase todas as frutas que consumimos, não se encontrava mais em seu estado nativo, como a natureza o criou há milhares de anos atrás. Descobrimos, com a preciosa ajuda de pesquisadores especialistas em cacau no Brasil e no exterior, que estávamos enganados. Ainda hoje, na Floresta Amazônica, achamos o cacau em seu estado original, o fruto selvagem! Os estudos desses especialistas indicaram que sua origem  está localizada na região entre o Brasil, o Peru, a  Colômbia e o Equador. Lendo suas publicações, aprendemos também que, diferentemente do cacau que cresce nas fazendas, não existe uma só família  de cacau selvagem, mas diversas geneticamente distintas entre si.

Atualmente, apenas dez dessas famílias estão identificadas, mas possivelmente há muitas mais. Tomamos como missão mostrar ao mundo os sabores e aromas que a genética de cada uma delas nos oferece, sutilezas que se manifestam nos chocolates feitos com o cacau que brota às margens dos diversos rios e igarapés no Alto e Baixo Amazonas .  Desde então, nos engajamos em uma busca por essa riqueza e diversidade do cacau selvagem. As famílias se distinguem entre si por sua genética única, que nos permite produzir chocolates únicos e conduzir uma empresa com um modelo de negócios igualmente único dentre os produtores mundiais de chocolate.

Fizemos diversos testes e análises nos grãos do cacau que utilizamos em nossos chocolates e confirmamos que, de fato, eles pertencem a famílias com alto grau de pureza. Os indivíduos dessas populações reproduziram-se entre si com pouco ou quase nenhum cruzamento genético entre uma espécie e outra, sendo considerados assim “heirloom”. É um cacau com herança ancestral, intocado pelo homem. As árvores centenárias com esta matéria-prima conferem ao chocolate um sabor realmente especial.

A PRIMEIRA EXPEDIÇÃO

Nosso primeiro contato com o cacau da Amazônia foi através de nossa tia Heloísa, irmã do nosso pai, que trabalhou por muitos meses no Acre. Foi ela que nos falou da COOPERAR, a Cooperativa Agroextrativista do Mapiá e Médio Purus, dedicada à cadeia do cacau selvagem que cresce às margens deste rio. Em 2014, passamos quase quatro meses tentando contato com a COOPERAR para conversar com eles sobre a possibilidade de comprarmos o cacau selvagem que eles fermentavam. A falta de sinal de telefone nessa comunidade dificultava a comunicação, que só foi possível quando finalmente acertamos o dia e a hora em que o presidente da cooperativa estava na cidade mais próxima com sinal de celular. Tão logo conseguimos, marcamos nossa primeira viagem à Amazônia.

Fizemos as malas e partimos para o Acre, uma viagem longa. Pegamos um avião com conexão em Brasília rumo a Rio Branco, a capital, onde passamos a noite, já que não dava tempo de pegar o barco ainda de dia. Na manhã seguinte, viajamos quatro horas de carro, passamos por duas reservas indígenas e enfim chegamos à cidade de Boca do Acre que, apesar do nome, já fica no estado do Amazonas, no encontro do Rio Acre com o Rio Purus. Mais quatro horas de barco rio abaixo e chegamos.

Fomos visitar a comunidade de São Sebastião no rio Purus com a COOPERAR, cujo presidente havíamos contactado menos de um mês antes. Para chegar nesse cacau do Purus, levamos dois dias e já aconteceu de termos que navegar pelos igarapés à noite, sem nenhuma iluminação. É comum os carros quebrarem na “estrada”, pois uma grande parte do caminho não é asfaltada — é de terra e lama. Muitas vezes dormimos em Boca do Acre para evitarmos a travessia no escuro. Nessa primeira viagem, estávamos presentes eu (Luisa) e André, meu pai e sócio. E assim tivemos nosso primeiro contato com o cacau selvagem do rio Purus.

Retornamos com alguns quilos de cacau e fizemos nossa primeira barra de chocolate. Ficamos encantados com a magnitude da floresta, com o cacau e, principalmente, com as pessoas que ali vivem. Vimos a oportunidade de construir com elas uma parceria boa e saudável e nos propusemos a comprar o cacau incrível que eles fermentavam com tanto esmero por um valor muito acima do de mercado — 200% a 300% superior. Até aquele momento, ainda não tínhamos a exata dimensão da aventura em que estávamos dispostos a embarcar: fazer chocolate com cacau selvagem, a partir de grãos de uma das dez famílias catalogadas por pesquisadores brasileiros e estrangeiros.

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